Quilombo do Américo celebra o Dia da Consciência Negra

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O Dia Nacional da Consciência Negra transcorrido nesta sexta-feira, 20 de novembro de 2020, foi celebrado na única comunidade quilombola do município de Bragança: Quilombo do Américo.

A Escola Municipal Américo Pinheiro de Brito, em homenagem ao primeiro morador, foi construída em 14 de julho de 1982 quando o governador do Pará era o Coronel Alacid da Silva Nunes e o prefeito de Bragança chamava-se Emílio Dias Ramos. 
Foi no interior do estabelecimento de ensino, que poucos moradores participaram do Café Quilombola servido com sucos, frutas, cuscuz e mingau de milho. A dupla Pedro e Raimundo interpretou músicas afro-brasileiras.

Na decoração, cartazes com frases de efeito destacando a raça negra: “Não veio do céu, nem da mão de Izabel”, “Uma mulher preta mesmo sentada permanece em pé”, “Enquanto houver injustiça social, não haverá empoderamento”.

Na plateia, Justimiana Pinheiro de Melo, descendente de escravos africanos, com 98 anos de idade, é a mais idosa da comunidade, além de lúcida, trabalha na roça e mantém a hierarquia, a decisão dos mais jovens em prol do Quilombo, necessita de sua aprovação.

O professor e artista plástico Gesiel Melo é um dos que “brigam” para a inclusão de um representante da escola do Quilombo no Conselho Municipal de Educação.

A professora Edna Monteiro, pedagoga e ativista do Movimento Afro-brasileiro no Pará (MOCAMBO) está há quatro anos na comunidade onde faz pesquisa e ministra aulas de linha estética para a mulher negra e quilombola.

Com camisas estampadas e turbantes realçando os cabelos coloridos e encaracolados, as mulheres acompanharam o ator Pedro Olaia que preparou uma oferenda e seguindo um ritual afro a depositou em uma encruzilhada da vila.

A Comunidade Quilombola do Américo ainda necessita de muitos avanços, a energia elétrica é limitada dando espaço a ligações clandestinas, não há Unidade Básica de Saúde (UBS) e o ensino médio ainda não chegou. A única Agente Comunitária de Saúde (ACS) é Rosete Araújo que cuida de 241 famílias e acumula a função de presidente da Associação Remanescente Quilombola do Américo (ARQUIA) com mandado até março de 2021.

Há muitas residências construídas de maneira coletiva, a matéria prima vem da natureza, barro e troncos de buritizeiros para garantir a durabilidade, no entanto, construções modernas já são vistas no local. Empresários retiram grande quantidade argila do solo para uso em olarias invadindo áreas demarcadas.

Com os punhos cerrados e erguidos simbolizando a resistência, a celebração do Dia da Consciência Negra foi concluída.

Reportagem e fotos - Jota Bahia
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